quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Notre Belle Èpoque pt. 8

Páginas retiradas do diário de Anita Simões

12 DE SETEMBRO DE 1882

Meu coração batia incessantemente desde o amanhecer, e me acordou com seus anseios absurdos antes mesmo do grande Apolo ultrapassar-nos com sua carruagem. Meu marido não dormia ao meu lado como de costume, e seu lado da cama permanecia frio como muitos de meus sentimentos por ele naquele dia. Deixei que meus pés tocassem o chão frio, silenciosos, e preparei um chá. Tomei-o enquanto observava o sol chegando à minha (nossa) propriedade, pensando no dia que viria. Antes que todos da casa acordassem, voltei aos meus aposentos e verifiquei falhas no vestido que usaria e em minha tez. E quando todos já despertavam, comecei a verificar os detalhes da casa, retirando qualquer resquício de rústico e desagradável aos olhos.

Uma hora antes do marcado com Amélia, solicitei que me ajudassem com minha vestimenta. O vestido que escolhi por usar é moderno e refinado, mas sem muitos adereços como essas moçoilas simplórias costumam usar. Esperei-lhe à porta, com o frenesi por sua chegada assomando-se a outros pequenos nervosismos. Meu coração pareceu parar assim que lhe vi chegando, e com toda a felicidade a recebi com abraços e cumprimentos repletos de cordialidade. Conversamos longamente durante a tarde, abordando temáticas como moda e vida na Europa. O tempo caminhava lentamente enquanto eu via suas feições darem forma às palavras, sua voz aveludadas acariciando minha alma, suave, suave. Sinto que tivemos uma conexão instantânea, feminina, como nunca antes tive. E certamente não quero que se acabe, não quero que meus olhos desviem para nenhum outro canto.

Experimentamos várias das peças do alfaiate, e tivemos apenas uma pequena pausa para o chá. E depois de tantas roupas, nossas costas já doendo de tanto esforço, parti para o magnífico vestido que Antoine trouxe para mim, tecido sob minhas medidas. Dispensei as minhas damas de companhia, nem sei bem o motivo disto – mas admito que premeditei a ideia de ficar só com Amélia ao menos por alguns poucos minutos. Despi-me, como uma adolescente inconsequente faria diante seu amado. Senti minha respiração ficando mais pesada nesse instante, e fixei meu olhar confuso na parede logo à minha frente.

- Amélia, tu poderias me ajudar com o espartilho? – acho que perguntei algo similar a isso. Senti a vibração que seus suaves passos faziam sobre o chão, e logo ela estava logo atrás de mim. Falou algo ininteligível para mim, deixando-me com os pelos eriçados. A partir daí tudo ficou confuso, diáfano. Percebia que eventualmente sua pele encostava à minha, mas nada mais se poderia discernir. Além desta sensação maravilhosa, tudo era fosco, e sua pele era minha perdição completa. Tempo, tempo. Apenas sei que ele passou por, repentinamente, perceber que Antoine batia à porta, preocupado conosco. Terminei de me arrumar rapidamente e lhe abri a porta, de sorriso aberto.

Nada mais depois disso foi importante. Amélia teve que voltar para seus próprios afazeres e eu fiquei com o vestido. Agora a dúvida surge. Real? Imaginação? Deus, ajuda-me a discernir esse emaranhado de sensações que me acometem.

1 comentários:

Thiago "James" Leite Cruz disse...

Primeiro comentário :p

Como te falei, adorei esse clima de mistério. O q aconteceu? o q naum aconteceu? Foi real ou apenas a vã fantasia de uma burguesa entediada com a vida belenense?
Mais interessante do que Capitu e Bentinho uahahahauhaa... Mas como o tema do blog eh erótica, sei lah cara, acho q vc tinha q carregar um poko mais o diário da Anita. Sobre relações com o marido dela, ou relatar as fantasias mais explícitas com a Amélia...
Tá tudo mt suave ainda.
ABração...

 
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